Guia · 26 de outubro de 2026

Qual a diferença entre revisão integrativa, sistemática e de escopo?

Entenda as diferenças entre as revisões integrativa, sistemática e de escopo e como alinhar pergunta, objetivo e método na sua pesquisa.

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Este conteúdo pode ajudar outras pessoas que estão começando a pesquisar.

Essa dúvida é comum na hora de começar uma revisão da literatura. Embora tenham etapas semelhantes, cada uma tem uma finalidade, e a escolha depende do objetivo da sua pesquisa. Neste texto, vamos entender essas diferenças e quando utilizar cada uma.

Por onde começar a escolha?

Antes de escolher o tipo de revisão, você precisa definir o que pretende investigar. Ter um tema é um começo, mas ainda é necessário delimitar qual questão será trabalhada e o que você espera compreender a partir da literatura.

Vamos pensar na saúde mental dos estudantes de Enfermagem. Dentro desse tema, você pode investigar (1) se uma intervenção ajuda a reduzir a ansiedade, (2) compreender os fatores que dificultam a busca por apoio ou (3) mapear quais estratégias de cuidado já foram estudadas. Apesar de tratarem do mesmo assunto, essas pesquisas têm objetivos diferentes.

Por isso, escolher o método apenas porque ele aparece com frequência nos artigos da sua área pode gerar problemas. O mesmo acontece quando a escolha parte da impressão de que determinada revisão seria mais fácil de fazer ou publicar.

Primeiro, precisamos entender a pergunta. Depois, avaliar qual método permite respondê-la.

O que é uma revisão sistemática?

A revisão sistemática reúne e analisa evidências para responder a uma pergunta de pesquisa bem definida. Para isso, utiliza métodos explícitos de busca, seleção, avaliação e síntese dos estudos, permitindo que o leitor compreenda como os resultados foram obtidos.

Um exemplo seria investigar se a prática de yoga, comparada à ausência dessa intervenção, reduz a ansiedade em estudantes de Enfermagem. Nesse caso, precisamos encontrar estudos capazes de avaliar esse efeito, observar como foram conduzidos e analisar o que seus resultados permitem concluir.

Embora seja bastante associada à avaliação de intervenções, a revisão sistemática também pode responder a outros tipos de pergunta, incluindo questões sobre prevalência, diagnóstico e experiências das pessoas. Os estudos elegíveis e a forma de análise dependem da pergunta e da metodologia adotada. Portanto, ela não se limita aos ensaios clínicos randomizados (Munn et al., 2018b).

Por exemplo, uma revisão sistemática de prevalência pode investigar qual a proporção de estudantes de Enfermagem que apresentam sintomas de ansiedade. Já uma revisão de acurácia diagnóstica pode avaliar se um questionário identifica corretamente os estudantes com transtorno de ansiedade, comparando seus resultados com uma entrevista diagnóstica realizada por um profissional habilitado. Também é possível reunir estudos qualitativos para compreender como esses estudantes vivenciam a ansiedade durante os estágios, ou investigar se a sobrecarga acadêmica está associada à ocorrência de ansiedade nessa população. Cada uma dessas perguntas exige procedimentos próprios de avaliação e síntese das evidências (Munn et al., 2018b).

Também é comum encontrar a expressão “revisão sistemática com metanálise”. A metanálise é uma técnica estatística que combina resultados de diferentes estudos, quando essa combinação é adequada. Contudo, nem toda revisão sistemática terá uma metanálise. Se os estudos apresentam diferenças que inviabilizam essa análise, os resultados precisam ser sintetizados de outra forma, com a devida justificativa (Reeves et al., 2024).

O que é uma revisão integrativa?

A revisão integrativa permite reunir e analisar conhecimentos sobre determinado tema, combinando diferentes tipos de estudo e, conforme a proposta, fontes teóricas e empíricas. Sua contribuição para a prática baseada em evidências está em integrar esses conhecimentos, ajudando a fundamentar melhorias no cuidado, protocolos e ações educativas e de gestão (Whittemore; Knafl, 2005).

Retomando nosso exemplo, podemos investigar os fatores que influenciam a busca por apoio em saúde mental entre estudantes de Enfermagem. Estudos quantitativos podem mostrar quantos procuram atendimento e quais fatores estão associados a essa procura. Já os qualitativos podem ajudar a compreender por que alguns estudantes evitam o serviço, como o receio de exposição ou a dificuldade de conciliar os horários. Ao integrar esses resultados, a revisão pode oferecer subsídios para organizar ações de acolhimento mais adequadas às necessidades dos estudantes.

Contudo, reunir estudos diferentes exige cuidado na análise. É necessário considerar como cada pesquisa foi conduzida, suas limitações e o que seus resultados permitem concluir. A proposta envolve integrar e interpretar os achados, evitando apresentar apenas uma sequência de resumos dos artigos selecionados. Assim, as possíveis aplicações na prática precisam ser discutidas considerando a qualidade e os limites das evidências disponíveis.

Para conduzir esse processo, você precisa adotar um referencial metodológico que oriente as etapas do trabalho. Essas etapas podem variar entre os referenciais, tanto na quantidade quanto na forma como são organizadas e desenvolvidas. Na escolha, também vale considerar a revista em que você pretende publicar e suas orientações aos autores. Para uma publicação internacional, por exemplo, pode ser interessante utilizar um referencial com maior circulação nesse contexto, como o de Whittemore e Knafl (2005). Isso não impede o uso de autores brasileiros, mas a escolha precisa ser fundamentada na adequação da metodologia à sua pesquisa.

O que é uma revisão de escopo?

A revisão de escopo permite identificar e mapear as evidências disponíveis sobre um tema, esclarecer conceitos e definições, examinar como as pesquisas foram conduzidas e identificar características ou fatores relacionados a um conceito. Também pode identificar e analisar lacunas de conhecimento e orientar o planejamento de uma futura revisão sistemática (Aromataris et al., 2024).

No exemplo da saúde mental dos estudantes de Enfermagem, poderíamos perguntar quais estratégias de promoção da saúde mental têm sido estudadas nessa população. O mapeamento poderia mostrar as estratégias identificadas, os países onde as pesquisas foram realizadas, os participantes envolvidos e os métodos utilizados.

Perceba a diferença em relação ao exemplo da revisão sistemática. Aqui, o objetivo seria caracterizar as estratégias e a produção disponível. Para concluir qual intervenção apresenta melhores resultados, seria necessário realizar uma revisão sistemática voltada à avaliação de efeitos.

A revisão de escopo também pode ajudar a planejar uma futura revisão sistemática, ao mostrar quais evidências existem e quais perguntas ainda precisam ser investigadas. Entretanto, essa é uma de suas possíveis aplicações. O mapeamento pode constituir, por si só, o objetivo da pesquisa (Munn et al., 2018a).

Por que a integrativa e a de escopo parecem tão semelhantes?

As duas podem abordar temas amplos e incluir diferentes tipos de evidência. Por isso, olhar apenas para os estudos selecionados nem sempre é suficiente para compreender qual método foi utilizado.

Na revisão integrativa, o pesquisador articula os resultados dos estudos para compreender um fenômeno, discutindo suas relações, diferenças e possíveis implicações para a prática. Na revisão de escopo, o foco é mapear o que existe, como em um catálogo organizado das evidências. Ela mostra o que foi estudado, com quais populações e de que forma, permitindo identificar também o que ainda foi pouco investigado. Esse mapeamento também envolve análise e discussão dos achados, mantendo as conclusões alinhadas à sua finalidade. A articulação de conhecimentos e a inclusão de diferentes tipos de estudo também podem ocorrer em outras modalidades, como nas revisões sistemáticas de métodos mistos.

Por exemplo, uma revisão de escopo sobre as barreiras à busca por apoio psicológico entre estudantes de Enfermagem poderia identificar quais barreiras foram investigadas, em quais países e com quais grupos de estudantes. Seus resultados poderiam mostrar que alguns estudos abordaram o receio de exposição, outros investigaram a incompatibilidade de horários e poucos incluíram estudantes do período noturno. Esse mapeamento permitiria conhecer o que já foi pesquisado e identificar aspectos que ainda precisam de investigação.

Já uma revisão integrativa poderia reunir os resultados sobre essas barreiras para compreender como elas dificultam a busca por atendimento. Imagine que os estudos quantitativos apontem menor utilização do serviço entre estudantes que trabalham, enquanto os qualitativos apresentem relatos de atendimentos disponíveis apenas durante o horário comercial. Ao articular esses achados, seria possível discutir como a organização do serviço pode limitar o acesso, mesmo quando o atendimento é gratuito.

Essa discussão poderia dialogar com outras pesquisas e com conceitos de acesso aos serviços de saúde, considerando que oferecer atendimento não garante que os estudantes consigam utilizá-lo. A revisão poderia, assim, fundamentar uma discussão sobre a adequação dos horários e das formas de acolhimento, respeitando a qualidade e os limites dos estudos analisados.

Na revisão de escopo, esses achados permitiriam apontar que os horários de atendimento aparecem na literatura como uma barreira ao acesso. Contudo, o mapeamento, por si só, não permitiria concluir que ampliar esses horários aumentaria a procura pelo serviço. Essa conclusão exigiria avaliar e sintetizar estudos sobre os efeitos dessa mudança, o que ultrapassa a finalidade de caracterizar as evidências disponíveis.

Todavia, a revisão integrativa também precisa de estudos que sustentem as relações e interpretações propostas na discussão. A escolha desse método, por si só, não permite tirar conclusões que vão além das evidências encontradas. Discutir a ampliação dos horários como uma possível melhoria não significa demonstrar que ela aumentaria a procura pelo serviço. Para avaliar esse efeito, o método adequado seria uma revisão sistemática voltada à avaliação de intervenções.

Também precisamos ter cuidado com regras muito simplificadas. A presença de estudos qualitativos e quantitativos, por exemplo, não determina sozinha que uma revisão seja integrativa. Da mesma forma, incluir teses, dissertações ou relatórios não transforma automaticamente uma pesquisa em revisão de escopo. A inclusão de literatura cinzenta também não é exclusiva das revisões de escopo, já que ela pode ser relevante em revisões sistemáticas, inclusive para reduzir o risco de depender apenas dos resultados publicados em periódicos (Lefebvre et al., 2025).

A escolha precisa considerar o conjunto da pesquisa. Se ainda houver dúvida, retome a pergunta e descreva o resultado que você pretende produzir. Você quer avaliar um efeito, integrar conhecimentos sobre um fenômeno ou caracterizar as evidências disponíveis? Essa reflexão ajuda a comparar as possibilidades, mas precisa ser acompanhada da leitura das respectivas orientações metodológicas.

Revisão de escopo é mais fácil?

A avaliação crítica da qualidade dos estudos não é uma exigência de toda revisão de escopo. Sua realização depende dos objetivos e precisa ser justificada quando adotada. Contudo, essa característica não permite concluir que o método será mais simples ou rápido.

Uma revisão de escopo pode recuperar um grande volume de documentos e exigir bastante trabalho de seleção, extração e organização dos dados. Além disso, precisa ter critérios claros e procedimentos transparentes, assim como as demais modalidades discutidas aqui (Munn et al., 2018a).

Antes de começar, considere o tempo disponível, a participação de outros revisores e os recursos necessários. Caso o projeto seja inviável nas condições atuais, vale discutir um recorte mais adequado com sua equipe ou orientação.

Como justificar sua revisão?

A justificativa precisa explicar por que vale a pena realizar a pesquisa e por que o tipo de revisão escolhido permite alcançar seu objetivo. São duas questões relacionadas, mas cada uma precisa de uma resposta.

Por que essa revisão é necessária?

Dizer que a saúde mental dos estudantes de Enfermagem é importante ajuda a apresentar o tema, mas ainda não explica a necessidade de uma nova revisão. O que precisamos conhecer melhor? Há resultados que ainda não foram reunidos, uma população pouco contemplada ou evidências novas que precisam ser analisadas?

As buscas preliminares ajudam a responder a essas perguntas. Antes de fechar o planejamento, procure estudos sobre o tema, revisões já publicadas e protocolos de trabalhos em andamento. Registre onde e quando buscou e o que encontrou. O JBI recomenda essa investigação no planejamento e orienta apresentar seus resultados na justificativa da revisão (Aromataris et al., 2024).

Uma revisão anterior não impede automaticamente outra. No nosso exemplo, o trabalho disponível pode abordar universitários em geral, sem examinar as particularidades dos estudantes de Enfermagem. Também pode haver estudos novos ou limitações metodológicas que justifiquem outra revisão. É essa contribuição que você precisa demonstrar. As buscas preliminares apoiam essa decisão, mas não substituem a busca dos estudos que serão incluídos na pesquisa.

Por que esse tipo de revisão é adequado?

Depois de explicar a necessidade da pesquisa, mostre por que a modalidade escolhida combina com a pergunta e com o resultado que você pretende produzir. Não basta afirmar que a integrativa reúne estudos diferentes ou que a revisão de escopo aborda um tema amplo. Explique o que será feito com as evidências e como os procedimentos do referencial permitem chegar a esse resultado.

Se a proposta for uma revisão integrativa sobre as barreiras à busca por apoio, por exemplo, a justificativa pode explicar que precisamos articular a frequência dessas barreiras com as experiências dos estudantes para compreender o acesso ao serviço. Ainda será necessário conferir se as fontes disponíveis e o referencial adotado sustentam essa integração. A diversidade dos estudos, sozinha, não define a modalidade (Munn et al., 2018a; Whittemore; Knafl, 2005).

O que precisa ser planejado antes da busca?

Depois de definir a modalidade, leia o referencial metodológico que orientará sua condução. A partir dele, planeje as etapas da pesquisa e verifique quais procedimentos serão necessários para responder à pergunta e alcançar o objetivo proposto.

Nas revisões sistemáticas e de escopo, esse planejamento deve ser formalizado em um protocolo de pesquisa, conforme as orientações da metodologia adotada. O documento deve descrever a pergunta e o objetivo da revisão, os critérios de elegibilidade, as fontes de informação e como serão realizadas a busca, a seleção, a extração e a análise dos dados. Também deve estabelecer a participação dos revisores e como serão resolvidas as discordâncias entre eles.

O protocolo também ajuda a evitar decisões tomadas apenas depois de conhecer os resultados. Imagine excluir estudos porque seus achados contrariam aquilo que você esperava encontrar. Essa escolha pode introduzir viés de seleção, favorecendo estudos que confirmam sua expectativa e comprometendo as conclusões da revisão.

Além de elaborar o protocolo, é importante providenciar seu registro prospectivo ou publicação, conforme as exigências do referencial e do local de publicação. Revisões sistemáticas elegíveis podem ser registradas no PROSPERO, enquanto revisões de escopo podem utilizar plataformas como a OSF. Esse registro deve ser planejado antes da execução da revisão. Registrar depois não comprova que as decisões foram tomadas previamente, e a ausência de registro prospectivo pode levar à recusa do artigo por revistas científicas que o exigem (Aromataris et al., 2024).

Por fim, registre as decisões e eventuais alterações ao longo do processo. Ajustes podem ser necessários, mas precisam ser justificados, documentados e apresentados no artigo final. Isso permite compreender o que mudou em relação ao planejamento e por que a mudança foi realizada (Lasserson; Thomas; Higgins, 2024).

Como definir o período e os idiomas da busca?

Essas decisões influenciam quais evidências poderão entrar na revisão e precisam ser consideradas no planejamento. Também ajudam a avaliar os recursos necessários para realizar o trabalho. Entretanto, limitar anos ou idiomas não define, por si só, se a revisão será integrativa, sistemática ou de escopo.

Como definir o corte temporal?

Na revisão integrativa, limitar a busca aos últimos cinco ou dez anos não é uma exigência geral do método. A revisão de escopo também não tem um prazo fixo obrigatório. Nessa modalidade, o JBI orienta que o período seja justificado no planejamento, considerando a abrangência do mapeamento. Em ambas, o corte deve estar relacionado à pergunta e ao objetivo, em vez de ser adotado apenas para reduzir a quantidade de documentos ou repetir um prazo utilizado em outros trabalhos (Aromataris et al., 2024).

No nosso exemplo, se a pergunta tratar do apoio à saúde mental oferecido após a implantação de uma política universitária, esse marco pode fundamentar o início do período. Já para compreender barreiras que persistem ao longo do tempo, excluir estudos anteriores sem justificativa pode deixar parte importante do conhecimento de fora. Mesmo quando o foco está nas práticas atuais, um estudo não deixa de ser relevante apenas por ser mais antigo.

Na revisão sistemática, o período deve permitir localizar os estudos relevantes para responder à pergunta. Um corte pode ser adotado quando houver fundamento relacionado aos critérios de elegibilidade, como a data em que uma intervenção passou a existir. Na orientação da Cochrane para revisões de intervenções, limites arbitrários, como pesquisar apenas os últimos cinco ou dez anos sem justificativa, não são recomendados, pois podem excluir evidências e modificar a resposta da revisão. A delimitação precisa ser planejada, relatada e justificada (Lefebvre et al., 2025).

Como lidar com os idiomas das fontes?

O idioma também precisa entrar no planejamento. A equipe deve buscar apoio para compreender e analisar fontes relevantes em outros idiomas, em vez de excluí-las automaticamente porque não domina a língua. A Cochrane orienta suas equipes a procurar auxílio para tradução quando necessário (Lefebvre et al., 2025).

Por isso, avalie desde o início como a equipe terá acesso a esse apoio. Se uma restrição for inevitável, é preciso justificar a decisão, discutir seu impacto e conferir as orientações da revista, que pode considerar a justificativa insuficiente na avaliação do artigo.

E onde entra o PRISMA?

Ao ler artigos de revisão, você provavelmente encontrará referências ao PRISMA e seu fluxograma de seleção dos estudos. Contudo, o PRISMA é uma diretriz para orientar o relato da pesquisa. Ele ajuda os autores a apresentar as informações necessárias para que o leitor compreenda o trabalho realizado.

Portanto, citar o PRISMA ou utilizar seu fluxograma não substitui o referencial metodológico que orienta a condução da revisão. Pense assim, o referencial metodológico, como o de Whittemore e Knafl na revisão integrativa, orienta como fazer a pesquisa. Já o PRISMA orienta como contar no artigo o que foi feito. Cada um tem sua função (Page et al., 2021).

Existem orientações de relato voltadas a diferentes modalidades, como o PRISMA-ScR para revisões de escopo (Tricco et al., 2018). Durante o planejamento, consulte a diretriz pertinente ao seu trabalho. Isso ajuda a registrar, desde o início, informações que precisarão aparecer na publicação (Page et al., 2021).

Como escolher o tipo de revisão para sua pesquisa?

Comece escrevendo sua pergunta e seu objetivo, mesmo que ainda precisem de ajustes. Em seguida, descreva quais informações você precisará encontrar e o que pretende fazer com elas.

Figura 1. Etapas para escolher e planejar o tipo de revisão.
Fluxograma com seis etapas para escolher o tipo de revisão. Descrição textual completa logo abaixo. Ative a imagem para ampliá-la em uma nova aba.

Fonte: elaboração da autora.

Descrição textual do fluxograma
  1. Defina a pergunta e o objetivo. O que você pretende investigar?
  2. Descreva o resultado esperado. Avaliar um efeito, compreender experiências, integrar conhecimentos ou mapear evidências?
  3. Compare as modalidades de revisão. Considere a finalidade da sistemática, da integrativa e da revisão de escopo.
  4. Consulte o referencial metodológico. Verifique se o método e os procedimentos atendem ao objetivo. Se houver incompatibilidade, retome e ajuste o planejamento.
  5. Avalie a viabilidade. Considere equipe, tempo, acesso às fontes e exigências da revista.
  6. Formalize o planejamento. Elabore o protocolo e providencie seu registro prospectivo ou publicação, conforme as orientações aplicáveis.

Se houver incompatibilidade entre objetivo e método, retome o planejamento. Buscas exploratórias podem apoiar essa preparação. Só depois avance para a busca e a seleção dos estudos da revisão.

Vamos retomar a saúde mental dos estudantes de Enfermagem e as três possibilidades apresentadas no início. O tema continua o mesmo, mas o que você pretende descobrir muda a escolha da revisão.

Na primeira possibilidade, queremos saber se uma intervenção ajuda a reduzir a ansiedade. Podemos perguntar se um programa de atenção plena, comparado ao apoio habitualmente oferecido pela universidade, reduz os sintomas de ansiedade desses estudantes. Uma revisão sistemática de efeitos de intervenções seria adequada para avaliar os resultados dos estudos e a confiança que podemos ter nessa resposta.

Na segunda, queremos compreender os fatores que dificultam a busca por apoio. Uma revisão integrativa pode reunir estudos sobre receio de exposição, horários de atendimento e outras barreiras, articulando a frequência desses problemas com as experiências relatadas pelos estudantes. O objetivo seria compreender como esses fatores se relacionam e o que os achados permitem discutir sobre o acesso ao serviço, sem concluir que uma mudança no atendimento funcionaria apenas porque parece fazer sentido.

Na terceira, queremos mapear quais estratégias de cuidado já foram estudadas. Uma revisão de escopo pode organizar as estratégias encontradas, como atendimento psicológico, apoio entre colegas e programas de atenção plena, indicando com quais estudantes foram investigadas, em quais contextos e por quais métodos. Também pode mostrar o que ainda foi pouco pesquisado. Esse mapeamento, por si só, não estabelece qual estratégia é mais eficaz.

Esses caminhos ajudam a comparar as possibilidades, mas não são exclusivos. Uma pergunta sobre as experiências dos estudantes ao buscar apoio, por exemplo, também pode orientar uma revisão sistemática de evidências qualitativas. Por isso, leve a pergunta e o resultado que pretende produzir para a discussão com a equipe e a orientação, conferindo o que cada referencial exige (Munn et al., 2018b).

O quadro a seguir resume os requisitos e as características de cada modalidade. As exigências devem ser conferidas no referencial escolhido e nas orientações da revista.

No celular, deslize o quadro para os lados. Pelo teclado, selecione esta área e utilize as setas.

Quadro 1. Requisitos e características das revisões sistemática, integrativa e de escopo.
Requisito ou característica Sistemática Integrativa Escopo
Objetivo Sintetizar e avaliar criticamente evidências para responder a uma pergunta delimitada. Pode investigar efeitos, experiências, fatores de risco e outras questões. Integrar e analisar conhecimentos empíricos e teóricos para compreender fenômenos, desenvolver conceitos e discutir implicações para a pesquisa e a prática. Mapear evidências; esclarecer conceitos; examinar como a pesquisa é conduzida; identificar características ou fatores relacionados a conceitos; identificar e analisar lacunas; orientar futuras revisões sistemáticas.
Por que realizar esta revisão? Demonstrar a necessidade da síntese e sua contribuição em relação às revisões e aos protocolos existentes. Explicar qual necessidade de compreensão do fenômeno será atendida pela integração dos conhecimentos. Explicar por que o mapeamento é necessário e o que acrescentará às revisões e aos conhecimentos disponíveis.
Por que escolher esta modalidade? Justificar como a avaliação e a síntese previstas permitem responder à pergunta delimitada. Justificar a integração e a interpretação propostas, conforme o referencial, em relação ao fenômeno investigado. Justificar por que mapear a extensão, os conceitos ou as características das evidências atende ao objetivo.
Buscas preliminares No JBI, investigar estudos disponíveis, revisões e protocolos semelhantes. Informar os achados e a contribuição da nova proposta. Recomendadas para conhecer a produção, localizar revisões semelhantes e fundamentar a contribuição pretendida. Conferir o referencial. No JBI, buscar revisões de escopo e, idealmente, sistemáticas semelhantes. Conferir também protocolos e explicar a contribuição do novo mapeamento.
Pergunta de pesquisa PICO para efeitos de intervenções. PICo para questões qualitativas. Outras estruturas conforme a pergunta. Não há uma estrutura única obrigatória. PICO, PICo ou outra estrutura conforme a pergunta e o referencial. PCC, recomendado pelo JBI.
Referencial metodológico Obrigatório. Guia adequado ao tipo de pergunta, como JBI ou Cochrane. Obrigatório. Por exemplo, Whittemore e Knafl. Obrigatório. Por exemplo, JBI.
Protocolo prévio Obrigatório nas metodologias JBI e Cochrane. Opcional, salvo exigência do referencial ou da revista. Recomendado. Obrigatório na metodologia JBI.
Registro do protocolo Obrigatório no JBI para revisões elegíveis no PROSPERO. Nos demais casos, verificar o referencial e a revista. Não obrigatório como regra geral. Conferir a revista. Opcional, mas recomendado. OSF ou Figshare. Pode ser exigido pela revista; conferir antes de iniciar.
Dois revisores na seleção Exigidos na decisão de inclusão em texto completo pelos guias convencionais. Triagem inicial conforme o guia. Recomendados. Verificar as exigências do referencial e da revista. Dois independentes são preferenciais no JBI. Alternativas precisam ser justificadas e descritas.
Quais estudos podem entrar? Ensaios clínicos, estudos observacionais, qualitativos ou outros, conforme o tipo de pergunta. Estudos experimentais, não experimentais e fontes teóricas, conforme o objetivo e o referencial. Estudos primários, revisões e documentos não empíricos, conforme os critérios do protocolo.
Literatura cinzenta Deve ser considerada na busca das evidências pertinentes. Justificar a decisão de não buscá-la e discutir possíveis perdas. Pode entrar, conforme o referencial e o objetivo. Justificar os tipos de fonte incluídos ou excluídos. Deve ser considerada para um mapeamento abrangente. Se não for buscada, justificar a decisão em relação à pergunta e aos limites do mapeamento.
Corte temporal das publicações Evitar limites arbitrários. Qualquer corte deve ser definido e justificado, por exemplo, pelo surgimento da intervenção. Não é obrigatório limitar aos últimos cinco ou dez anos. O período deve atender ao objetivo e ser justificado; investigar práticas atuais não determina um prazo fixo. Priorizar a amplitude pertinente à pergunta. Um corte exige justificativa, por exemplo, um marco histórico diretamente relacionado ao conceito.
Idioma das fontes Evitar restrições por idioma. Cabe à equipe planejar e buscar apoio para tradução. Eventuais limites precisam ser justificados, considerando o risco de viés e o guia adotado. Definir conforme o objetivo e o referencial, planejando o apoio necessário para tradução. Explicitar e justificar restrições e suas limitações. Preferencialmente sem restrições. Cabe à equipe planejar e buscar apoio para tradução. Restrições precisam de justificativa e podem ser questionadas na avaliação pela revista.
Busca documentada e critérios de seleção Obrigatórios. Obrigatórios. Obrigatórios.
Avaliação crítica dos estudos Obrigatória, com instrumentos adequados aos estudos incluídos. Obrigatória no referencial de Whittemore e Knafl. Conferir o referencial escolhido. Não obrigatória. Sua realização precisa ser justificada pelo objetivo.
Análise dos resultados Síntese quantitativa, qualitativa ou de métodos mistos, conforme a modalidade. Comparação e integração dos achados para interpretar o fenômeno. Análise descritiva, frequências e categorias para caracterizar as evidências.
Metanálise obrigatória? Não. Só quando adequada à pergunta e aos dados. Não. Não. O mapeamento não tem como finalidade estimar um efeito conjunto.
Diretriz de relato PRISMA 2020 e extensões ou orientações específicas aplicáveis. Conforme o referencial e a revista. PRISMA não substitui o método. PRISMA-ScR.

Fonte: elaboração da autora com base em Munn et al. (2018a), Munn et al. (2018b), Whittemore e Knafl (2005), Aromataris et al. (2024), Lefebvre et al. (2025), Page et al. (2021) e Tricco et al. (2018).

PICO considera população, intervenção, comparação e desfecho, chamado de outcome em inglês. PICo considera população, fenômeno de interesse e contexto, por isso pode ajudar em perguntas sobre experiências. Já PCC considera população, conceito e contexto. Essas estruturas ajudam a organizar a pergunta, mas não determinam, sozinhas, o tipo de revisão.

Referências

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LEFEBVRE, C. et al. Chapter 4: searching for and selecting studies. In: HIGGINS, J. P. et al. (ed.). Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions. Version 6.5.1. London: Cochrane, 2025. cap. 4. Capítulo atualizado em mar. 2025. Disponível em: https://www.cochrane.org/authors/handbooks-and-manuals/handbook/current/chapter-04. Acesso em: 26 out. 2026.

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